A MAGIA POP

Sempre gostei do diretor Terry Guilliam. Seu cinema é marcado por uma estetica vaudeville fantástica, plasticamente fascinante e ,ao mesmo tempo ,patética. Eu poderia falar sobre o roteiro de seus filmes, que sempre, na sequencia final ficam chatos, mas não vou.Não gosto de falar do que não funciona nos filmes. Acho chato…Enfim, voltando ao que vale a pena,é dele as inesquecíveis animações do grupo Monty Phyton .

O melhor filme dele é O pescador de Ilusões (The Fisher King ,1991) ,onde o Santo Graal é o cálice que poderia trazer a lucidez de volta para Parry, um mendigo alucinado e traumatizado , interpretado por Robin Williams, no melhor papel da sua carreira. Mas o grande ator desse filme é Michael Jeter, como se percebe na sequencia abaixo.

Outro grande filme de Terry Guilliam é Os Doze Macacos (Twelve Monkeys ,1995), uma refilmagem (coisa que pouca gente sabe) de um média-metragem francês chamado La Jetee (1962), um filme em que quase 100% das imagens são fotografias .

Mas o que seria seu maior (e possivelmente melhor ) projeto nunca foi realizado.
Na década de 80, o diretor se juntou com o escritor de historias em quadrinhos , Alan Moore para adaptar WATCHMEN . A ideia era fazer uma mini-série televisa, mas a produtora WARNER não topou. Queria que fizessem um filme, condensado, resumido, enfim qualquer coisa. Alan Moore e Terry Guilliam não toparam e deu no que deu. WATCHMEN foi lançado vinte anos depois do jeito que a WARNER queria: um filme mediocre, em que toda a atmosfera patética e crítica da Graphic Novel foi diluída no cliché de silicone dos filmes de super-heroi contemporâneos.

Enfim, falei tudo isso para chegar no novo filme de Terry Guilliam: The Imaginarium of Doctor Parnassus (2009). Um filme delicioso! Fazia tempo que eu não tinha tanto prazer ao ver um filme contemporâneo. O filme mostra um teatro mambembe em que a principal atração é a possibilidade do espectador entrar na mente do Dr. Parnassus e viver ali ,por alguns momentos, seus desejos mais profundos. Terry Guilliam consegue trazer a liberdade criadora que todos temos, mostrando que nada é mais poderoso do que nossa própria mente.

The Imaginarium of Doctor Parnassus é um filme que dialoga com outra graphic novel de Alan Moore : PROMETHEA. Realizada na virada do ano 2000, a obra traz uma personagem que seria o Ying de Prometheus. A heroína é uma espécie de deusa da imaginação que renasce numa história em quadrinhos cientifica para trazer o fim do mundo.

Alan Moore acredita que a magia nada mais é do que a junção da arte, da ciência e da religião. Ele diz que o poder da palavra pode ser comparado a feitiçaria. Por exemplo, a sátira. Uma sátira bem feita sobre alguma pessoa pode perdurar por toda a vida desta, como uma maldição. Já uma sátira poderosa vai além . Pode perdurar séculos e séculos, mesmo depois que a pessoa satirizada já esteja morta. Enfim, o poder da criação humana seria o que mais nos aproxima de sermos verdadeiros super-homens.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *